domingo, 16 de abril de 2017

Wunderwaffen - As Super Armas Secretas dos Nazistas


Pouca coisa desperta mais polêmica do que o tema Alemanha Nazista.

Ele atrai a atenção e especulação de todos há mais de 70 anos. Desde a Segunda Guerra Mundial, as pessoas se perguntam como um Regime de Horror como esse se formou justo em uma nação avançada, moderna e progressista. A despeito do horror desencadeado, há algo estranhamente fascinante a respeito da mitologia oculta do nazismo, seus significados, segredos e mistérios. A combinação de poderio militar e misticismo gerou toda uma subcultura de estudo sobre o assunto.

Um dos aspectos mais curiosos sobre o Nazismo diz respeito a algo que se convencionou chamar Wunderwaffen, armamentos de tecnologia avançada até para os padrões atuais. Essas armas vão de miras laser até motores de jatos supersônicos, coisas que não existiam na década de 1940, exceto na ficção, mas que já eram contempladas pelos cientistas alemães como possíveis e que em alguns casos chegara a ser fabricadas. Outras armas nunca saíram do papel, mas nem por isso deixam de ser fantásticas.  

Mas quanto dessas histórias são verdadeiras, e quanto não passa de invenção?

Como todos complexos militares industriais, a Alemanha Nazista possuía programas de pesquisas e desenvolvimento, bem como engenheiros e operários à seu serviço. Dentro dessas indústrias bélicas, programas e planos para o desenvolvimento de armas avançadas de fato existiram. A medida que os recursos e mão de obra diminuíram ao longo da guerra, menos projetos foram levados adiante, mas alguns dos que seguiram adiante até o final do conflito eram simplesmente incríveis.


Hoje em dia, sabemos a respeito de praticamente todos os programas militares em desenvolvimento durante o governo nazista. No final da Guerra, os Aliados conseguiram capturar várias instalações relativamente intactas e delas confiscaram tecnologia, planos e documentos. Obtiveram ainda protótipos e maquinário. Muito desse material deveria ter sido destruído pelos próprios nazistas, mas quando a guerra já estava perdida, a prioridade era ocultar crimes ocorridos nos Campos de Extermínio.  

Os planos confiscados pelos Aliados mostravam que os nazistas estavam de fato comprometidos com a construção de Caças à Jato, como os modernos Messerschmitt Me-262 e o Heinkel He-162, ambos muito superiores a qualquer avião do período. Perto do fim da guerra, algumas tropas já estavam sendo equipadas com o Zielgerät ZG-1229 Vampir, miras infravermelhas, que forneciam visão noturna, bem antes dos americanos conceberem a ideia. Talvez o auge do poderio militar nazista tenha sido o Programa de desenvolvimento do míssil de cruzeiro V-1 e do projétil balístico suborbital de longa distância, o V-2. Três mil protótipos foram testados e mais da metade deles conseguiu atingir o espaço, quinze anos antes do Sputnik 1.

Outros planos, ainda mais fantásticos de fato existiram, ao menos em plantas. Entre os veículos aéreos, existia o Horten Ho-229 um avião propelido à jato, o Mach 2.2 Lippisch P13a um caça com asas em formato delta, um avião espião de altitude similar ao U-2 americano chamado DFS-228, e até um avião com asas em rotação, o Messerschmitt P.1101, que se tornou o precursor do Bell X-5. Haviam ainda planos para o desenvolvimento de aviões capazes de realizar decolagem e pouso vertical.

Os nazistas também tentaram desenvolver agressivamente o projeto para seu Amerika Bomber, um avião bombardeiro com capacidade de voo para realizar ataques nos Estados Unidos. Os nazistas acreditavam que fazendo bombardeios sobre as cidades americanas, poderiam mudar o curso da guerra. Esses aviões incluíam variantes do jato Arado E 555 e até mesmo um veículo suborbital chamado Silbervogel que chegou a ser testado. Com esses aviões, os nazistas conseguiriam lançar bombas sobre Nova York e Boston, por exemplo, ferindo duas das principais cidades da América.


Em terra, os alemães tinham planos para a construção de enormes tanques blindados. A tecnologia de tanques nazistas durante a Guerra era muito superior a dos aliados. O Tanque Tiger II possuía uma capacidade de mobilidade, velocidade e blindagem notável, quase comparável a dos Tanques atuais. Mas os planos eram construir armas ainda maiores e mortais. O Landkreuzer P.1000 Ratte e o P.1500 Monster, comportavam uma tripulação de 40 a 100 homens respectivamente. Eram máquinas gigantescas, equipadas com canhões de longo alcance e que mais lembravam trens do que tanques. Eles podiam disparar as maiores peças de artilharia desenhadas até então, projéteis de 800 mm com poder de destruição devastador. Esses tanques poderiam reduzir cidades inteiras a ruínas se tivessem sido produzidos. 

No mar, os nazistas planejavam a construção de um novo modelo de submarino capaz de disparar seus mísseis V-2 do alto mar nas cidades norte-americanas. O plano era construir esses barcos como plataformas móveis de lançamento, transportando até 100 mísseis de longo alcance. Três chegaram a ser desenvolvidos, um até ficou pronto antes do fim da guerra, mas os testes do V-2 atrasaram em relação ao submarino. O projeto da plataforma posteriormente foi usado pelos americanos e soviéticos, mas apenas nos anos 50.

Os Nazistas também estavam próximos de desenvolver armas atômicas para equipar nos seus mísseis V-2. Documentos secretos obtidos do alto comando alemão, atestam que o projeto para a construção de complexos de enriquecimento de urânio estavam em progresso. Com esse material, não demoraria até que eles conseguissem fabricar armas de destruição em massa. 

Enquanto o Projeto Manhattan estava ocorrendo nos Estados Unidos, ele tinha um irmão gêmeo na Alemanha: o Uranverein, ou Clube do Urânio. O Uranverein teve um início tão promissor quanto o Projeto Manhattan, talvez até mais eficiente; contudo, os nazistas não dispunham de recursos para as pesquisas e o curso da guerra freou seu progresso. A operação com os reatores alemães para a criação de plutônio requeria Água Pesada, que vinha quase que inteiramente da Estação Hidroelétrica de Vemork na Noruega, um lugar que produzia nitrogênio para fins agrícolas. O Clube do Urânio foi desmantelado por aquela que talvez tenha sido uma das operações de sabotagem mais importantes da história: Operação Gunnerside, na qual uma pequena equipe de comandos noruegueses foi lançada de paraquedas atrás das linhas inimigas e esquiaram até Vemork. A seguir, escalaram os rochedos ao redor da usina, invadiram o complexo através de um duto de ventilação e plantaram explosivos. A explosão resultante destruiu todo o suprimento alemão de água pesada e a maior parte do equipamento necessário para sua produção. 3,000 soldados foram enviados atrás dos sabotadores, mas os noruegueses conseguiram escapar.


Meses mais tarde, a indústria voltou a operar, mas bombardeios aliados conseguiram atingir as instalações mais uma vez. Os alemães fizeram uma última tentativa de enviar um carregamento de água pesada através de cargueiros no Mar do Norte . Uma heroica equipe de comandos noruegueses, incluindo o lendário guerrilheiro Knut Haukelid, conseguiu plantar explosivos à bordo. Com o navio danificado, submarinos terminaram o serviço e mandaram embarcação e carga para as profundezas do mar. Isso abalou o programa nazista de armas atômicas de tal forma que ele foi cancelado. 

Vários especialistas em tecnologia acreditam que os cientistas do Clube do Urânio chegaram a realizar testes simulando explosões atômicas. As armas, no entanto, tinham o "interior oco", ou seja, embora contassem com a tecnologia para implosão do material radioativo, não foram abastecidas com plutônio. Historiadores defendem que seria questão de tempo até os nazistas desenvolverem por completo seu programa nuclear e estarem aptos a criar bombas atômicas. Se o Clube do Urânio tivesse prosseguido em suas pesquisas a Guerra poderia ter acabado de forma muito diferente. Em 2006, cientistas encontraram traços de radiação em estações de pesquisa usadas nos tempos da guerra, assinaturas de energia que comprovam manipulação de compostos radioativos. Isso mostra que os alemães, possuíam a tecnologia, anda que seu suprimento de plutônio fosse escasso. 

Isso tudo nos leva ao derradeiro e mais inacreditável projeto da Wunderwaffen nazista, um projeto ultra-secreto batizado Die Glocke, que significa "O Sino". O Sino seria um veículo aéreo em formato de disco, em geral descrito como um Disco Voador. Quando se fala na Wunderwaffen nazista, muitos pesquisadores imediatamente pensam a respeito desses misteriosos discos, seus apelidos e denominações. Em nenhuma base ou complexo industrial capturado pelas forças aliadas, algo remotamente semelhante ao Sino foi encontrado, ao menos nenhum que se saiba.


Há, no entanto, muitos papéis, documentos e mesmo plantas aludindo para a construção de tais máquinas aéreas de design absurdo. 

A origem dos Discos Voadores nazistas é discutida em detalhes em um livro escrito em meados de 1990 por um historiador militar polonês chamado Igor Witkowski chamado "A Verdade a respeito da Wunderwaffe". Em seu livro, Witkowski conta uma história sensacional: Ele teria obtido acesso (mas não a liberdade para fazer cópias) a documentos secretos redigidos nos dias finais da Guerra com um oficial nazista chamado Jakob Sporrenberg. Através das transcrições, o autor relata como tomou conhecimento a respeito do Projeto Sino que envolvia o desenvolvimento de um veículo aéreo com motores gravitacionais de flutuação.

Não se sabe, entretanto, se o livro de Witkowski tem algo de verdadeiro ou é mera ficção especulativa. Ele não oferece evidências da existência e ninguém parece apoiar as suas ideias e conclusões. O personagem principal do livro, o Oficial SS Sporrenberg também não pode corroborar as alegações. Ele foi executado por crimes de guerra em 1952. Em vida, sabemos que Sporrenberg foi um Oficial severo que enfrentou os partisans na Polônia e que teve pouca conexão com ciência aérea e os grupos de desenvolvimento de armas do exército.

Mas embora existam poucas provas para sustentar as lendas do Disco Voador Alemão, a mitologia que cerca o regime ajuda a propagar esse tipo de crença. Misticismo e o Mundo Oculto, afinal, fazem parte do Legado Nazista (se é que podemos chamar assim).

O Regime sempre foi um imã de teorias bizarras e controversas. A origem dessas histórias, parece ser o trabalho de dois autores franceses que nos anos 1960 lançaram um trabalho chamado "O Amanhecer dos Feiticeiros" (The Morning of the Magicians), no qual especulavam a respeito das muitas tradições místicas e sociedades secretas ativas na Alemanha. Entre essas obscuras Sociedades influentes nos anos que antecederam a Guerra, uma em especial chamava a atenção, seu nome era Sociedade Vril (sobre a qual teremos um artigo).


A misteriosa Sociedade Vril congregava um grupo de ocultistas, alegados feiticeiros, supostos satanistas e pessoas muito importantes no meio político que daria origem ao Partido Nazista. Segundo o Livro, a Sociedade Vril se ofereceu para aparelhar o exército alemão e torná-lo em uma Máquina de Guerra eficiente, virtualmente imbatível, cujo poder seria abastecido por conhecimento místico e tecnologia até então desconhecidas. 

A base de tudo seria o Vril. A Sociedade acreditava na existência dessa misteriosa substância que forneceria uma fonte de energia inesgotável. Utilizando o Vril, cuja origem para a Ordem é mística, as máquinas de guerra do Exército Nazista rodariam sem parar e sem a necessidade de renovação. O fluido mágico ainda ajudaria a criar soldados invencíveis uma vez que ele era também uma espécie de fórmula para a saúde e longevidade. 

É bizarro imaginar que os Nazistas realmente acreditassem nesses conceitos que parecem ser retirados de histórias pulp e de ficção científica, mas ao que parece, pessoas muito importantes na alta cúpula do Partido Nazista acreditavam na existência do Vril e nas suas incríveis capacidades. Tanto é verdade que investiram milhões de marcos antes da guerra em expedições e buscas infrutíferas pela Civilização Ancestral que ocultava o Segredo do Vril.

Mas qual a relação entre o Vril e o Projeto Die Glocke? 

Os teóricos acreditam que o Disco Voador Nazista seria uma máquina abastecida pelo combustível místico e que ele era a base para o funcionamento dos seus motores anti-gravitacionais. A grande vantagem do Vril sobre os demais combustíveis era o fato do fluído garantir uma autonomia de voo indefinida. Uma vez acionados, os motores permitiriam vôos longos e estáveis, distâncias simplesmente não importariam.

Mas existiam outros Projetos de Discos Voadores em desenvolvimento pelo Exército Alemão.


O mais conhecido talvez seja o aparelho aéreo idealizado por Victor Schauberger, um cientista austríaco que chefiou um Projeto que visava construir um veículo aéreo de formato e modelo inovador. As plantas desses projetos secretos, deixam bem claro que Schauberger estava em busca de uma espécie de Disco Voador. O cientista concebeu um sistema de propulsão chamado "Vórtex Líquido" que para alguns, ao menos na teoria, poderia funcionar.

Schauberger trabalhou em um complexo militar ligado a Lufftwaffe em Leonstein entre 1938 e 1945. Lá ele tinha autoridade para construir protótipos e realizar testes. Seu maior sucesso teria sido um protótipo de um metro e meio, pesando 135 quilos que através de um motor elétrico gerava um campo antigravidade que permitia ao aparelho capacidade de flutuação. 

Segundo Schauberger: "Se água ou ar rotacionasse em uma força giratória de oscilação chamada "coloidal", energia suficiente poderia ser gerada permitindo capacidade de levitação".

Em outro teste, ocorrido em 1942, um outro protótipo teria levitado a dois metros de altura e se movido mediante a ajuda de jatos horizontais. O aparelho teria carregado dois passageiros, mas ele não funcionou por muito tempo. Para alguns, o programa visava a construção de um hovercraft primitivo e não de um veículo de altitude.

No final da Guerra, o complexo de pesquisas de Schauberger foi destruído pelas bombas soviéticas. O cientista e sua equipe receberam ordens de explodir os protótipos e queimar as plantas e documentos para que nada caísse nas mãos dos inimigos. O cientista alegou até o final de sua vida que ele cumpriu a ordem apenas em parte. Para escapar de uma condenação, ele aceitou destruir os protótipos, mas manteve as plantas de sua pesquisa no intuito de negociar  com os americanos a tecnologia na qual vinha trabalhando. Não se sabe se essa história é verdadeira, mas Schauberger imigrou para a América em 1945 e se estabeleceu em Houston onde alegava ter trabalhado em uma divisão secreta ligada a Força Aérea Americana.


Schauberger, no entanto, não viveu muito para compartilhar de sua visão, ele logo adoeceu e contraiu uma doença degenerativa. Em seu leito de morte ele teria dito: "Eles tomaram tudo de mim. Eu não tenho mais nada! Não possuo mais, nem a mim mesmo!"

O Cientista morreu em 1947.

Durante os anos 1950, os norte-americanos tentaram desenvolver aparelhos aéreos com aerodinâmica arrojada como o Avro-Car e o Neg-G que pareciam muito com os Discos Voadores idealizados pelos cientistas do Projeto Glock. Infelizmente, os projetos acabaram sendo abandonados no início dos anos 1960 quando aviões à jato ganharam primazia e se tornaram as armas mais eficazes do arsenal aéreo. 

Seria possível que os nazistas tivessem não apenas desenhado armamentos e veículos aéreos fantásticos, mas construído tais aparelhos? Será que se eles tivessem tempo para desenvolver essas armas, elas realmente seriam usadas nos campos de batalha? E se esse fosse o caso, será que eles fariam diferença no rumo do conflito que definiu o mundo para as gerações futuras?

As super-armas de Hitler podem jamais ter saído da prancheta dos projetistas, mas elas continuam nos fascinando e aterrorizando, assim como quase tudo a respeito do Regime Nazista. 

3 comentários:

  1. O conceito de Wunderwaffen poderia servir de base para um cenário onde as super armas nazistas prologam a Segunda Guerra Mundial por mais tempo que em nosso mundo . Seria interessante também ver esses armamentos sendo construídos por EUA e URSS e as consequências dessa tecnologia avançada para a Guerra Fria .

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  2. Texto excelente. Mais um texto excelente. Sou fã do blog e acompanho as postagens a quatro anos. Nunca canso de me surpreender com a qualidade do trabalho aqui apresentado. Parabéns.

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